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O motivo do ataque dos Nhambiquaras, no dia 22 de outubro de 1907, quando da procura do rio Juruena, foi que uma turma de seringueiros havia ateado fogo a uma aldeia desses índios e eles, por isso, sempre que viam o homem branco, queriam expulsá-lo, usando a sua arma predileta, que era a flecha.
Rondon deu ordem para mingúem revidar a qualquer ataque dos índios, dizendo aquela sua frase que ficou famosa e que ele sempre repetia:
“Morrer, se preciso for. Matar, nunca!”.

Professando o Positivismo, desde os tempos da Escola Militar, ali introduzido pelo professor Benjamin Constant, uma Doutrina Altruísta, cuja fórmula moral é “viver para outrem”, Rondon não admitia o sacrifício de vidas humanas, tendo até tomado para si a proteção dos silvícolas, o que ele fez durante todo o tempo e que culminou com a criação, pelo Governo Federal, em 1910, do Serviço de Proteção ao Índio, por ele organizado e que chefiou durante muitos anos. Além do mais, conforme consta, Rondon descendia de índios Terena, Bororo e Guaná, sendo um defensor intransigente dos silvícolas.
Depois desse incidente, essa tribo foi por eles pacificada e depois muitas outras também, chegando os índios até a colaborar no trabalho da expedição, ajudando os trabalhadores da Comissão. Alguns até se tornaram telegrafistas, tomando conta da Estação Telegráfica da região.

Ficamos sabendo, agora em 2008, quando estivemos em Cuiabá, que, lamentavelmente, muita gente da terra natal de Rondon, o município de Santo Antonio de Leverger, não gosta do Marechal e espalharam a notícia de que ele era matador de índios e outras coisas mais.  Mas o motivo disso é que, com a valorização das terras, começou a aparecer muita gente de fora oferecendo migalhas pelas áreas e os índios, fascinados pela possibilidade de ter algum dinheiro no bolso, se desfaziam de seus bens. Acabando o dinheiro, eles iam para a capital, onde se entregavam à bebida, sem moradia e sem dinheiro. Por isso, Rondon teria providenciado, segundo soubemos, um projeto de Lei proibindo a comercialização das terras no município, com o que os proprietários, a maioria descendente de índios, se acharam prejudicados e, por vingança, lançaram essa pecha contra o Marechal.

Roteiro dessa 1ª Expedição da Comissão Rondon ao Rio Juruena:
Partida da cidade de Mato-Grosso (antiga Vila Bela) no dia 1º .7.1907
Casalvasco, Cáceres, estrada para Poconé,  Contraforte de Mangabal, rio Bento Gomes, Livramento
Brotas, a 7.8.1907. Inauguração da Estação Telegráfica.
Rosário-Oeste
Diamantino (184km. de Cuiabá), de 29.8 a 2.9.1907.
Mais 12 km., começaram  a subir a serra dos Parecis, até o lugar chamado Arroz Sem Sal.
Transpuseram o Rio Sant´Ana, o mais oriental dos afluentes do Rio Paraguai.
Chapada dos Parecis
Aldeia Uxalintrá, a 7.9.1907. O Cacique Locujerê encarregou-se de hastear a bandeira brasileira na solenidade da Independência, que foi também comemorada com 3 salvas de tiro e toque de corneta. Foi o 1º encontro que tiveram com os Parecis, de onde levaram o índio Savadá-Issú, como guia.
Andaram mais 43 km., até a cabeceira dos Veados (Cuzuí-suê).
Cabeceira dos Três Jacus
Andaram mais 63 km. para Noroeste, chegando ao Salto da Ponte de Pedra a 3.10.1907
Continuaram para o poente, chegando a 16.9 à aldeia Zutiá-Curé-suê
Aldeia do Amure Uirarê, a 17.9,  cujos habitantes trabalhavam no seringal do italiano Toscano.
Aldeia-Queimada, a 19.9.1907
Cabeceira do Manatácô-suê
Cabeceira do Manaracuá-cuê
Salto do rio Timalariá (Zuziro Uamolenê) Salto da Mulher
Rio Papagaio (Saucru-iná), a 3.10.1907, onde há uma cachoeira que Rondon chamou de Salto de Utiarity (nome de um gavião sagrado para os Parecis). Divisa com o território Nhambiquara
Continuando para o poente, atravessaram o rio Zolaharú-iná, importante afluente do rio Papagaio
Rio Buriti
Rio Quente (Rio do Calor), Uatiáu-iná, em cuja margem festejaram o descobrimento da América, no dia 12.10.1907, a 607 km. a noroeste de Cuiabá.
Córrego Jaty, em cuja margem esquerda estabeleceram o bivac, que Rondon chamou de Acampamento Saucru-iná (Papagaio)
Rio Juruena, a 20.10.1907, depois de 484 km. a partir de Diamantino, com mais 135 km de explorações, somando 616 km, executados de 2.9 a 29.10.1907, de Diamantino ao rio Juruena. Saudaram o rio com salvas de 3 tiros, dados por Rondon, o Tenente Lyra e o fotógrafo Leduc.

Volta
:
Rio Papagaio, a 4.11.1907. Os índios soltaram a canoa que a Expedição usou na ida para o Juruena. Rondon atravessou a nado, puxando a pelota por uma corda segura entre os dentes, levando os enfermos e todo o material, da uma hora da tarde, até cerca das seis horas da tarde.
Aldeia Queimada, de 13.11 a 17.11.1907. Depois em Tapirapuã e a 19.11.1907 novamente em Diamantino.


Em homenagem a Rondon, o ex-Território de Guaporé, ao Norte de Mato Grosso, foi transformado em Estado de Rondônia.
Mapa histórico de Mato-Grosso, com o roteiro de Rondon na 1ª Expedição que partiu da cidade de Mato Grosso, antiga Vila Bela, no dia 01.07.1907 e chegando ao Rio Juruena no dia 20.10.1907.
O fotógrafo Luiz Leduc acompanhou Rondon, executando todas as fotos nessa e em outras viagens.

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